
No último domingo, realizei uma nova intervenção da série Monólithos Urbanos, desta vez no Parque da Lagoa, em frente à beleza imensa da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. A ação consistiu na transformação de um bloco de concreto abandonado — um elemento urbano obsoleto, apagado pela rotina da cidade — em um novo corpo escultórico por meio da pintura geométrica.

Esse tipo de estrutura costuma passar despercebida: está ali, mas não é vista. É funcional, mas perdeu sua função. O que me interessa nesses casos é o potencial simbólico desses blocos: eles representam partes esquecidas da cidade — e, por extensão, das pessoas que nela habitam. Através da arte, busco devolver visibilidade, cor e sentido a esses objetos.

A intervenção utilizou formas geométricas precisas e cores fortes, elementos que vêm marcando minha trajetória como artista urbano. O bloco passou a integrar a paisagem de maneira ativa, quase como um totem moderno. A tridimensionalidade da pintura cria ilusões ópticas e convida o transeunte a parar, olhar, interagir — a sair do modo automático de andar pela cidade.
Essa é a essência da série Monólithos Urbanos:
Ressignificar o que foi deixado para trás.
Criar presença onde havia ausência.
Dar voz ao que foi silenciado pelo tempo, pelo descaso ou pela pressa.
Essa obra agora faz parte do meu “mapa afetivo de intervenção”, espalhado por diversas cidades. Um mapa em que cada bloco pintado se torna um ponto de contato entre arte e cotidiano, entre cidade e subjetividade.
Agradeço a todos que passaram, olharam, conversaram, tiraram fotos e me deram força durante o processo. A cidade é viva, e a arte também precisa ser.
— Mario Bands · Rio de Janeiro, julho de 2025